23 de julho de 2026 • Axé Artigos Religiosos
A origem da Pemba e por que o “ponto riscado” importa na Umbanda

Muita gente vê a Pemba apenas como um “giz” usado no momento do ponto riscado, mas a verdade é que ela carrega uma função simbólica e espiritual que vai além do desenho no chão. Quando um guia risca um ponto, aquilo não é aleatório: é linguagem, é padrão de trabalho, é abertura e organização do campo energético. Por isso, vale a pena pensar na origem histórica e no sentido dentro da Umbanda, sem tratar como folclore nem como receita mágica. Assim, você passa a olhar para os pontos com mais cuidado, perguntando ao seu terreiro o que é correto para a sua casa e seu modo de trabalhar.
O que é a Pemba no terreiro, na prática
Na Umbanda, a Pemba é o giz (ou material semelhante) usado para riscar os pontos de trabalho. Esses pontos podem aparecer quando uma entidade incorpora e vai desenhar sua assinatura espiritual — seja apresentando-se, firmando um trabalho ou conduzindo uma abertura/organização energética.
É comum você ver a Pemba acompanhando elementos do próprio ritual:
- ponto riscado no chão, com traço e intenção
- linhas, marcas e símbolos que funcionam como “linguagem” daquele trabalho
- direcionamento do guia (o que deve ser desenhado, como e onde)
- conexão entre o corpo mediúnico e o campo espiritual, conforme a tradição da casa
Como regra de respeito, lembre: cada terreiro tem seus fundamentos. A Pemba pode ser usada com variações, e os pontos e métodos não devem ser “copiados” sem orientação.
Uma leitura histórica: origem ligada à escrita e à comunicação
Quando você procura entender a origem da Pemba, costuma aparecer uma explicação histórica ligada ao litoral de Zanzibar e às rotas comerciais daquela região. A ideia central dessa linha interpretativa é que povos que conviviam com diferenças linguísticas precisavam de um modo mais comum de comunicação — e isso teria favorecido o desenvolvimento de símbolos fáceis de desenhar.
De forma resumida, a narrativa descreve:
- uma região de encontro entre povos (com rotas de comércio e deslocamentos)
- a necessidade de se comunicar apesar das diferenças de idioma
- o uso de símbolos gráficos para transmitir ideias
- a associação do material (argila/giz chamado “pemba”, associado à ilha/costa) à função de marcar e registrar sinais
A partir disso, a história sugere que, com o tempo, a Pemba passa a significar “comunicação” e “escrita”, e povos locais teriam atribuído sentido espiritual ao uso desse material — algo que, mais tarde, encontra paralelo na tradição religiosa africana e afro-brasileira, onde o desenho ritual tem papel de organizar o invisível.
Importante: em religião, o valor do símbolo não depende apenas de “data” ou “origem exata”. O que importa para o seu dia a dia é: na Umbanda, a Pemba é uma ferramenta ritual carregada de intenção e tradição.
Por que o “ponto riscado” é tratado como linguagem espiritual
Na Umbanda, o ponto riscado costuma ser entendido como uma espécie de escrita do guia e/ou registro do trabalho. Você pode pensar no ponto como:
- assinatura (a marca daquela entidade/linha trabalhando)
- comando (indica como o trabalho deve ocorrer)
- chave (ajuda a estabelecer uma ponte entre o plano material e o espiritual)
- organização (define áreas, correntes e funções dentro do rito)
É por isso que o ponto riscado não é apenas “um desenho bonito” nem um adorno. Quando um guia risca, existe um contexto mediúnico e ritual: a casa, os fundamentos, o modo de chamar, a necessidade do trabalho e as regras do terreiro.
Um cuidado essencial: mesmo que você encontre símbolos em redes sociais, não transforme isso em manual universal. Na Umbanda, símbolos são transmitidos com responsabilidade — e o que muda de casa para casa pode ser justamente o que garante segurança e coerência espiritual.
Como respeitar o uso da Pemba e dos pontos na sua rotina
Se você deseja lidar com esse tema no seu cotidiano (como estudo, participação na gira ou organização de pedidos), o melhor caminho é alinhar curiosidade com disciplina.
Algumas orientações práticas:
- Observe: na sua assistência, acompanhe como o guia risca, com que ritmo, em que momento e com quais orientações verbais.
- Pergunte para a casa: “qual a regra aqui para ponto riscado com Pemba?” — essa pergunta costuma ser simples e bem acolhida por quem orienta.
- Não copie para fazer por conta própria: desenho ritual fora de contexto pode confundir intenção e abrir caminhos fora do adequado.
- Evite improviso de materiais: use apenas o que seu terreiro orienta; “qualquer giz” pode não ter o mesmo preparo/uso ritual.
- Priorize a ética: a intenção devocional e o respeito aos limites do terreiro valem mais do que “acertar o símbolo”.
E se a sua intenção for trabalhar mediunicamente (desenvolvimento, firmeza, aprendizado), vale reforçar: orientação de Pai/Mãe de Santo e acompanhamento em terreiro são essenciais. Artigos ajudam a organizar o entendimento, mas não substituem a condução espiritual e os fundamentos.
Perguntas Frequentes
A Pemba é usada igual em todo terreiro?
Não. Embora a Pemba seja reconhecida como instrumento de riscar pontos, cada casa tem fundamentos próprios: tipos de ponto, momento ritual, preparo do material e regras de uso. O que é correto em um terreiro pode ser diferente em outro.
O ponto riscado “abre portal” mesmo?
Na linguagem espiritual da Umbanda, você pode entender o ponto como meio de estabelecer comunicação e organizar o campo do trabalho. As expressões variam, mas o foco costuma ser o mesmo: criar condições para a atuação do guia e a condução do ritual.
Posso aprender os pontos riscado só estudando símbolos na internet?
Você pode estudar por curiosidade e referência, mas não é recomendado praticar sem orientação do seu terreiro. O risco está em usar a linguagem espiritual fora de contexto, além de ignorar regras de ética, segurança e alinhamento com os fundamentos.
Por que o guia risca com tanta “precisão” do ponto?
Porque o ponto carrega um sentido dentro daquela corrente e daquele trabalho. A precisão faz parte do padrão ritual: não é só forma, é função. O guia atua conforme a tradição recebida e conforme o encaminhamento do momento.
Quando devo perguntar sobre Pemba e pontos no meu terreiro?
Quando você tiver uma pergunta concreta e respeitosa — por exemplo, em qual momento se utiliza, o que significa aquele traço ou por que determinado ponto é usado naquela gira. Um bom tempo para dialogar é antes ou depois do trabalho, quando a casa estiver em clima de orientação.
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