22 de julho de 2026 • Axé Artigos Religiosos
Os “Reinos” de Exu e Pombagira na visão de algumas casas: como entender sem confusão

Você provavelmente já se deparou com nomes como “reino das encruzilhadas”, “reino do cemitério” ou “Calunga Grande” ao pesquisar sobre Exu e Pombagira. Esse tipo de classificação costuma aparecer em certas casas e tradições dentro do universo de Quimbanda e também em diálogos paralelos que circulam entre praticantes. O ponto mais importante aqui é: essas estruturas não substituem a orientação do seu terreiro, porque cada casa guarda seus fundamentos, sua ética e sua forma de ensinar. Por isso, vale a pena você entender o que significa “reinos” como um mapa simbólico — sem transformar em regra rígida ou em curiosidade sem base. Vamos organizar essa ideia com calma e respeito.
O que significa falar em “reinos” de Exu e Pombagira
Em algumas abordagens tradicionais, Exus e Pombagiras são descritos como grupos espirituais que se organizam em “reinos”. A palavra “reino” não precisa ser entendida como geografia literal; ela costuma funcionar como referência simbólica para qualidades, campos de atuação e dinâmicas espirituais. Assim, os nomes dos reinos ajudam a falar de âmbitos como encruzilhadas, caminhos, transições, lugares de afastamento/transformação, memória, ancestralidade e também ambientes associados a determinados fluxos espirituais.
Quando você encontra o “sistema dos sete reinos”, está vendo uma forma de organização do conhecimento. Em geral, ele é apresentado como uma estrutura que facilita a compreensão dos agrupamentos, mas pode ser descrito com variações dependendo do entendimento de cada casa ou família espiritual. Por isso, o ideal é você usar essas nomenclaturas como ponto de estudo, e não como critério para julgar a prática de outro terreiro.
Os “sete reinos” mais citados (e por que isso pode variar)
Uma das classificações que aparece com frequência descreve sete reinos, com nomes que você talvez já tenha visto em rodas de conversa e materiais de estudo. Os mais mencionados costumam ser:
- Reino das Encruzilhadas
- Reino do Cruzeiro
- Reino das Matas
- Reino do Cemitério (muitas vezes associado a “Calunga Pequena”)
- Reino das Almas
- Reino da Lyra
- Reino da Praia (associado a “Calunga Grande”)
Perceba que alguns termos se conectam a símbolos bem presentes na cultura espiritual afro-brasileira, como encruzilhada (decisões e vias), cruzeiro (marcos, limites e caminhos), mata (força da natureza e transformação), cemitério/Calunga (dimensão ancestral e limiar). “Almas”, “Lyra” e “praia/Calunga Grande” também aparecem como referências a campos espirituais que não cabem apenas em uma explicação linear.
Agora, o cuidado: nem todo terreiro vai apresentar essa lista exatamente igual, com a mesma nomenclatura ou com o mesmo “encaixe” de significados. Algumas casas preferem outras divisões, outros nomes ou explicações mais próximas do jeito próprio de ensinar dos guias e da linhagem. Então, se você ouvir variações — por exemplo, mudanças na forma como os reinos se conectam a determinados agrupamentos — isso não precisa ser encarado como “erro”; muitas vezes é diferença de método de transmissão.
A ideia dos “9 povos” dentro de cada reino
Outro ponto que costuma aparecer nessa mesma forma de organização é a ideia de “povos” associados a cada reino. Em algumas leituras, se fala em 9 povos dentro de cada reino. Seguindo essa estrutura:
- 7 reinos
- 9 povos em cada reino
- totalizando 63 povos (na forma como a conta é apresentada)
O número, aqui, tende a ser mais didático do que “matemático”. Em tradições orais e familiares, essas contagens são usadas para organizar o ensino e facilitar a lembrança. Além disso, o próprio próprio entendimento pode “mudar um pouco” dependendo da casa, como costuma ser dito nessas descrições.
Para você, o valor prático dessa informação não é decorar “para acertar de primeira”, e sim perceber que existe uma lógica de ordenação. Essa lógica ajuda a evitar que a gente trate Exu e Pombagira como se fossem uma coisa só, ou como se tudo se resumisse a uma única manifestação. Em vez disso, você passa a reconhecer que há diversidade de linhas, qualidades e formas de atuação — sempre dentro do que seu terreiro orienta.
Como aplicar esse estudo sem sair do eixo do seu terreiro
Mesmo que você se interesse por mapas como “reinos” e “povos”, a sua base precisa continuar sendo a orientação espiritual do seu Pai/Mãe de Santo e a vivência responsável no terreiro. Isso é especialmente importante porque Exu e Pombagira são temas que, com frequência, ganham versões distorcidas em conversas fora do contexto religioso.
Para manter o estudo saudável, você pode se guiar por alguns critérios:
- Escute primeiro a sua casa: se o seu terreiro usa ou não essa classificação, entenda como ela é ensinada.
- Não transforme em “receita”: “reino” não é uma fórmula para pedir algo, nem um atalho para resultados.
- Evite generalizações: não assuma que todo Exu ou toda Pombagira “atua igual”. A atuação varia conforme linha, firmeza e demanda.
- Use como vocabulário de estudo: trate como conhecimento simbólico, útil para compreender diversidades.
- Respeite a ética: qualquer prática com Exu/Pombagira deve ser conduzida com responsabilidade, sem impulsos e sem exibicionismo.
Também vale lembrar um ponto de equilíbrio: Umbanda e Quimbanda podem ser conversadas em contextos diferentes, mas a maneira de tratar cada entidade e cada forma de trabalho deve respeitar a matriz do seu culto. Misturar informações sem orientação pode gerar confusão e, no pior cenário, desrespeito à tradição. Seu caminho fica mais seguro quando você estuda e, ao mesmo tempo, preserva o que seu terreiro considera correto.
Perguntas Frequentes
Esses “sete reinos” são uma regra fixa para todo terreiro?
Não necessariamente. Essa organização aparece em algumas casas e linhagens como forma didática de classificar agrupamentos. Como o entendimento pode variar por família espiritual, você deve tomar essa estrutura como um mapa simbólico e não como lei universal.
O que significa “Calunga Pequena” e “Calunga Grande” nesses nomes?
Em geral, “Calunga” é um termo associado a limiares e à dimensão ancestral/espiritual, e as expressões “Pequena” e “Grande” costumam indicar diferentes referenciais dentro da mesma ideia. O sentido exato e a forma de conectar isso à prática variam conforme a tradição e o modo de ensinar da casa.
“9 povos” dentro de cada reino tem alguma relação com mediunidade ou firmeza?
Essa classificação costuma ser apresentada como ordenação simbólica dos agrupamentos espirituais. Ela pode ajudar no vocabulário de estudo, mas não substitui o que determina a sua vivência mediúnica, o acompanhamento no terreiro e a orientação do Pai/Mãe de Santo.
Exu e Pombagira são sempre organizados dessa forma?
Não. Existem outras maneiras de organizar e explicar as linhas, qualidades e atuações, dependendo do jeito que cada casa transmite. O mais importante é você seguir o conhecimento da sua tradição e observar como as entidades são tratadas com ética no seu terreiro.
Posso fazer trabalhos por conta própria usando essa classificação?
Você pode estudar, sim, mas fazer trabalhos por conta própria, especialmente envolvendo Exu e Pombagira, é algo que exige orientação espiritual e responsabilidade. O acompanhamento do seu Pai/Mãe de Santo ou de alguém indicado pela casa ajuda a manter segurança, respeito e alinhamento com os fundamentos.
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